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Lia conta. Bento segura. Nina experimenta.

Seis crianças voltam nas histórias, e cada uma tem um jeito próprio de encarar o que aparece pela frente.

  • Dá para reconhecer qualquer uma antes de o nome aparecer: pelo jeito de esperar, de segurar, de começar.
  • E cada história é inteira em si: não tem episódio anterior para acompanhar nem ordem para seguir.
Lia, boneca de feltro de cabelo preso em dois coques altos, agachada, tocando com o dedo a primeira de quatro pedras enfileiradas no chão.

Lia

5 anos

Conta o que dá para contar: degraus, pedrinhas, voltas do balanço.

Lia quer saber o que vem depois. Quando a espera não tem nenhuma marca visível, ela encontra alguma coisa para contar, e contar não adianta a vez dela: dá tempo de escolher o que fazer em seguida. Ela repara em detalhe que os outros deixam passar, e quando alguma coisa sai da ordem costuma ficar mais quieta antes de voltar. Aparece em histórias de esperar a vez, de despedida na porta da escola e de um dia que mudou de ordem.

Bento, boneco de feltro de cabelo curto e ondulado, em pé, segurando uma folha dobrada com as duas mãos e olhando para ela.

Bento

4 anos

Segura uma coisa na mão e troca de mão quando precisa pensar.

Bento pensa com as mãos. Quase sempre tem alguma coisa junto do corpo, um carrinho, uma colher de pau, uma folha dobrada, e é por ali que ele entra na brincadeira. O que custa é emprestar, devolver e acabar; quando aparece uma regra concreta de quem usa quando, ele solta sem briga. Também brinca de mãos vazias. Aparece em histórias de dividir, de cuidar do que não é dele e de consertar o que caiu.

Nina, boneca de feltro de cabelo liso e escuro, inclinada para a frente, regando um vaso pequeno com um regador de feltro.

Nina

3 anos

Inclina o corpo para a frente e começa antes de explicar.

Nina fala pouco e começa cedo. Enquanto os outros ainda combinam como fazer, ela já colocou o primeiro bloco no chão. Falar pouco não é entender pouco: é que ela prefere descobrir tentando, e quando não dá certo costuma repetir o mesmo gesto com mais força antes de aceitar uma ajuda. Aparece em histórias de se vestir sozinha, de provar uma comida nova e de tentar de novo.

Téo, boneco de feltro de cabelo cacheado, sentado na cadeira de rodas, com uma escova de dentes na mão erguida e um copo no colo.

Téo

5 anos

Pergunta mesmo quando já suspeita da resposta.

Téo pergunta. Parte das perguntas é curiosidade de verdade e parte serve para adiar por alguns segundos uma coisa que ele ainda não quer fazer, e as duas saem com a mesma cara. Ele quer saber qual é a regra e se ela vale também para aquele caso; quando a resposta muda o plano, ele acha graça. Aparece em histórias de aceitar um não, de entrar numa brincadeira e de achar outro caminho para o mesmo lugar.

Cacá, boneco de feltro de tranças com contas amarelas e boné virado para trás, correndo com os dois pés fora do chão.

Cacá

4 anos

Chega correndo, com passadas curtas, e freia com os dois pés.

Cacá entra inteiro nas coisas. Corre para ver, fala enquanto chega e costuma descobrir o limite depois de já ter passado dele. A história dele nunca é perder essa energia, é achar onde colocar: com um limite concreto e uma tarefa do tamanho da vontade, ele para sozinho. Aparece em histórias de entrar numa brincadeira que já começou, de esperar o outro terminar e de arrumar o que caiu no caminho.

Duda, boneca de feltro de cabelo ruivo e cacheado, com dois aparelhos auditivos atrás das orelhas, em pé, com uma das mãos erguida e aberta.

Duda

4 anos

Procura o rosto de quem está falando e marca duas batidas com a mão.

Duda olha primeiro. Antes de entrar, acompanha os rostos, as mãos e o movimento, e entra quando pega o ritmo. Aí é ela quem propõe a combinação: quem começa, o que vem depois, qual é o sinal para todo mundo sair junto. O que atrapalha é uma cena em que várias pessoas agem ao mesmo tempo sem olhar umas para as outras. Aparece em histórias de esperar o outro terminar, de organizar uma brincadeira e de ajudar sem ser chamada.

Eles nunca aparecem sozinhos.

Em cada história tem mais gente em volta: o amigo que chega no meio da brincadeira, a prima que veio passar o dia, a professora, o vizinho de baixo, o cachorro da rua, o gato que dormiu na cadeira errada.

E é com essa gente que a coisa acontece. Esperar a vez só existe porque tem outra criança no balanço; dividir só existe porque tem alguém do outro lado do carrinho. Às vezes quem puxa a história nem é gente: é a torre que caiu pela terceira vez ou o chinelo que perdeu o par.